
Hoje, 26 de maio de 2026, o Ministério do Planejamento e Orçamento — em uma ação conjunta com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública — publicou o Atlas da Violência deste ano. O documento consolida uma década de monitoramento criterioso da letalidade no país. Contudo, os dados mais recentes acendem um alerta vermelho intransigível: a violência doméstica está tomando proporções alarmantes dentro dos lares brasileiros.
Os indicadores de violência letal contra a primeira infância (crianças de 0 a 4 anos) revelam um cenário devastador: o índice quadruplicou entre 2014 e 2024. No mesmo período, as notificações de agressões contra menores de 5 a 14 anos saltaram de 6.594 para 29.135 ocorrências. Desse total, 79,9% dos casos foram decorrentes de violência doméstica.
No que tange à realidade das mulheres, os dados apresentam uma contradição perversa. Por um lado, o índice geral de homicídios femininos registrou uma queda de 27,7% na última década. Por outro, 77,9% das violências não letais ocorreram dentro da casa da própria vítima.
Mais grave ainda é constatar que o número absoluto de mulheres assassinadas dentro de casa permaneceu estagnado nesses dez anos. Essa estabilidade no ambiente doméstico — que contrasta com a redução da violência nas ruas — é um indicativo alarmante. Ela nos impõe uma reflexão urgente: após uma década de avanço na conscientização e no empoderamento feminino, as estruturas de convivência familiar continuam blindando o agressor e falhando em proteger as mulheres
Fonte original: Atlas da Violência 2026 | ABI - Conteúdo publicado originalmente no site do Obsevatório da imprensa - autoria- Glória Alvarez.
Para acesso ao Atlas da Violência 2026 clique em: Atlas da Violência - Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Infográfico: atlas-violencia-2026-infografico.pdf