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Mulheres indígenas compartilham saberes em roda de conversa sobre insegurança alimentar

09/12/2025 - 16:30

A Subsecretaria da Igualdade Racial e o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Comsan) promoveram a roda de conversa “Insegurança Alimentar, Gênero e Raça: quem sente mais fome no Brasil?” no auditório do Adamastor,  na quinta-feira (4), com  um grupo de mulheres formado por servidoras de várias pastas, indígenas em contexto urbano das etnias Pankararu, Puri e Jeripankó e representantes do Instituto Cemear, que atua com 350 pessoas em situação de vulnerabilidade social, que trabalham na zeladoria do município, e membros do Consan.

A atividade foi conduzida pelas sociólogas Silvana Benevenuto e Elisa Castro e pela assistente social Greice de Oliveira, que é presidente do Conselho Municipal da Promoção da Igualdade Racial (Compir), a partir de reflexões sobre raça e gênero na perspectiva de quem mais sofre com a insegurança alimentar no país, com destaque às mulheres negras, indígenas e também migrantes.

A discussão foi norteada também pela leitura de trechos dos livros “Quarto de despejo”, de Carolina Maria de Jesus, “A terra dá, a terra quer”, de Antonio Bispo dos Santos.

De acordo com Silvana, a partir da literatura, a ideia é reconhecer os saberes e a dificuldade das pessoas vulneráveis como migrantes, indígenas e negros, no acesso ao alimento e às suas tradições alimentares, as quais muitas vezes são perdidas na vida urbana ou fora de seu contexto social. É falar de segurança alimentar, tradições dos povos e como a fome se apresenta nas comunidades que tiveram de se adaptar às mudanças em seus modos de vida e costumes. 

Na sua obra, Carolina Maria de Jesus narra a vida que teve na favela do Canindé, a primeira favela de São Paulo, segundo Greice. Carolina descreve a fome num momento em se escrevia para a elite e não para os favelados. Dentro da precariedade vivida, a autora mostra que as mães abrem mão da própria comida para garantir a alimentação do filho.
 

Mulheres indígenas

Abordar insegurança alimentar, para a historiadora e representante do Movimento de Mulheres Indígenas em Contexto Urbano, Day Poyanáwá, da etnia Puri, é muito mais do que falar sobre alimento e comida. É refletir sobre cultura e quem são os indígenas. A fome não é apenas uma questão social, mas de gênero e raça. As mulheres indígenas passam pelo nutricídio, que é a morte de seus costumes nutricionais, na medida em que são impedidas de realizarem suas tradições, como a da colheita, do preparo da semente, do plantio, da relação com a terra e do preparo da comida. 

Segundo Day, a fome atinge sobretudo as mulheres, pois são elas que tiram o alimento de sua própria boca para dar de comer a seu filho. São as mulheres indígenas que detêm o poder da terra.

Por sua vez, a bióloga e mestre em paleobotânica pela Universidade de São Paulo (USP) Fabíola Pankararu compartilhou saberes de seu povo (Pankararu) originário da Aldeia Brejo dos Padres, em Pernambuco, apontando para o modo de vida coletivo que, mesmo com pouco alimento, seu povo não passa fome, pois tudo é compartilhado. A relação com os alimentos é bem diferente da maneira vivenciada na cidade, já que os alimentos são encontrados na própria terra local, como no caso do umbu, um fruto sagrado para seu povo. Os pankararus, assim como os demais povos originários, possui forte ligação com a terra e tudo o que nela dá.

Guarulhos possui 120 mulheres cadastradas no Movimento de Mulheres Indígenas Em Contexto Urbano, as quais vivem em diversos bairros, como Cidade Soberana, Jardim Lenize, Jardim Fortaleza, Jardim Presidente Dutra, Conjunto Marcos Freire, Pimentas, Jardim Tupinambá, Vila Any, Parque Alvorada e Centro

A roda de conversa integrou a programação da Semana de Direitos Humanos 2025 “Mulheres e Direitos Humanos: Equidade, Justiça e Transformação Social”, realizada pela Secretaria de Direitos Humanos, e que prossegue até a próxima quarta-feira (10). As atividades podem ser consultadas no link 5ª Semana de Direitos Humanos | Portal da Secretaria de Direitos Humanos.

 

Imagens: Marcio Lino/PMG

Fonte: Mulheres indígenas compartilham saberes em roda de conversa sobre insegurança alimentar   | Prefeitura de Guarulhos

 
 

 

 

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